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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Indagações


De valores invertidos, muito já se falou. Mas realmente interessante seria ouvir quais são os bons costumes a serem ostentados pelas pessoas.
Afinal de contas, nunca se valorizou a vida como dizem que deve ser valorizada. Desde a antiguidade, monta-se arenas para ver homens serem devorados por animais selvagens e queima-se pessoas sobre quem recai a suspeita de “bruxaria”.
Se o dinheiro não é tudo na vida, como pode viver tão mal quem não tem acesso a pequenos e frágeis pedaços de papel com um valor impresso, e aqueles que possuem tais papeis vivem com luxo e barriga cheia?
Que sociedade é essa em que um líder é tão veementemente criticado ao dividir a possibilidade de ser feliz por todo o povo, como se ao invés de espalhar o direito de os mais necessitados se alimentarem, estivesse espalhando uma praga mortal?
Por que aqueles que nasceram e vivem ao sul de um país se consideram superiores intelectualmente àqueles que nasceram no mesmo país, porém alguns quilômetros mais ao norte? Qual magia tais pessoas acreditam acontecer na extensão de terra que os separam dos alvos de seu preconceito mesquinho e cego e que os tornam seres tão superiores?
Afinal, a cor da pele de uma pessoa faz alguma diferença? Por que isso parece ser tão importante na cabeça das pessoas? Se todos os seres humanos tivessem a pele transparente, poderíamos ver com clareza o quão asquerosamente iguais somos por dentro.
Baseado em qual fundamento as pessoas misóginas e machistas direcionam seu desprezo e raiva às mulheres? Em qual sentido é possível considerar uma pessoa inferior à outra baseando-se unicamente no seu gênero? Isso me parece óbvio demais para precisar ser escrito, mas gênero não define caráter, capacidade, habilidade, inteligência e não inferioriza em nenhum sentido da palavra qualquer tipo de pessoa.
Não é possível entender como as religiões, supostamente existentes para dar paz interior àqueles que as seguem, fazem pessoas criarem ódio uns dos outros e promoverem as “guerras santas”.  Sigam por um segundo o conselho de John Lennon e imaginem um mundo sem religiões, sem guerras sem sentido, sem homens bomba, sem o fundamentalismo que ainda hoje queima no fogo da ira aqueles que não seguem seus mandamentos divinos. Mas se realmente sentirem necessidade de seguir uma religião (qualquer que seja), o meu único pedido é o seguinte: mantenham suas convicções religiosas para vocês, ninguém é inferior – ou superior – por acreditar nessa religião ou naquela seita.
Não adianta querer melhorar o resto do mundo antes de tentar melhorar a nós mesmos. 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Tempo


Rio de Janeiro/RJ – Brasil

7 de outubro de 2029.

16 horas e 23 minutos.

            Um casal anda de mãos dadas em um bosque. Não há um motivo específico para fazerem isso, eles simplesmente o fazem. Talvez se amem.
            Uma menina de oito anos de idade corre na direção de uma vendedora de pipocas em um parque. Ela preferiria um cachorro-quente, mas só tinha pipoca.
            Dois times de um esporte importante se enfrentam em um jogo importante de um campeonato importante. O time visitante está ganhando.
            Um estudioso acaba de chegar a uma conclusão inédita sobre um assunto complicado e de maneira inovadora, após anos de estudo.
            Faz calor.
            Eis que, sem aviso, um grande asteroide ilumina o céu carioca e se choca contra a capital fluminense. O objeto espacial de proporções inimagináveis não deixa sobreviventes. Não só no Rio de Janeiro como no mundo. Pelo menos, nenhum sobrevivente humano... mas isso já é outra história.
            De que serviram todas as preocupações? De que adiantaram todos os anos passados estudando questões irrelevantes? O único modo de se atingir a imortalidade é através de nosso legado, mas não há legado se não há quem se recorde dele. Não há legado. A religião não salvou ninguém. Os bispos, os padres e o Papa estão na mesma situação que os estupradores, os pedófilos e os assassinos. Estão compartilhando da mesma morte. A música não foi capaz de impedir a tragédia. Não há separação de gênero musical na hora final.
            A vida é irônica. Vive-se oitenta anos se esforçando e batalhando, dia após dia, para sobreviver até a hora de morrer. Para se ter dinheiro, se ter uma moradia, se ter amigos com quem passar o tempo que se resta. Mas a morte olha com escárnio para todo esse esforço e essa batalha. Ela não diferencia o rico do pobre, o limpo do sujo, o belo do feio, o velho do novo. Não há diferenças entre as pessoas sob o olhar paciente da morte.
            E na hora final talvez se descompliquem as complicações do mundo. Talvez se perceba, numa fração de segundo antes da consciência se perder, qual era a grande piada pregada pelo universo sobre nós. Temos data de validade, e a cada segundo passado ela está mais perto de expirar.
            Viva, não apenas sobreviva. Cometa erros, faça o que tem vontade, perca tempo. O tempo perdido que agradou quem o perdeu não foi perdido. Você está em um tempo único na história, um tempo tão raro que me é difícil calcular essa possibilidade sem uma calculadora. Explico: em todos os 14 Bilhões de anos do universo, esses são os únicos poucos que contarão com a sua existência. Nesse momento, o universo existe apenas para você e para os outros que estão vivos. Aproveite-o. Quando sua vez acabar, você não tem o direito de voltar para o começo da fila. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Entitlement [1]

Inicio este texto ao som de "All My Love", do Led Zeppelin.


Sexta passada fui a uma boate com um grupo de amigas fazer parte de uma pesquisa sobre "Entitlement". Antes de explicar o que é isso e de explicitar minhas conclusões sobre a pesquisa, um comentário: achei muito engraçado algumas pessoas falando que a pesquisa era só uma desculpa minha para ir na tal boate, como se não me conhecessem e não soubessem que eu ODEIO esse tipo de lugar. Enfim.
Me impressionei e me assustei um pouco com o que vi. A princípio, a boate estava dividida em duas partes por uma fita e por seguranças que mais pareciam armários munidos de braços e pernas. Do lado de lá, só meninas. Do lado de cá, só meninos e pouquíssimas meninas que se aventuravam a atravessar a faixa de Gaza e os armários. Os meninos estavam se amontoando para olhar as meninas do outro lado, quase como um animal observa sua presa antes da caçada (e a mesma situação acontecia com um bom número delas).

Em um certo momento, os seguranças retiraram a faixa divisória e a "festa" propriamente dita começou. Algumas pessoas foram diretamente para quem estavam observando momentos antes, outros simplesmente foram até o bar pegar alguma bebida. A conclusão das observações eu vou deixar para uma postagem futura, por ainda estar avaliando os resultados.

Mas há tempo de se falar sobre o tal "entitlement". Resumindo, é um termo usado para caracterizar o direito que certos homens sentem sobre as mulheres. Por vê-las em uma boate, festa ou em qualquer outro lugar com uma roupa que eles julgam ser "ousada", acreditam que elas estão lá para ficar com alguém, e é direito deles tentar agarrar a moça. Misóginos e babacas, diga-se de passagem. O que faz eles acreditarem que têm esse direito? Difícil dizer. Pressão social, exemplo dos pais… qualquer que seja o motivo, é mais uma das atitudes que devem ser combatidas.

E termino este texto ao som de "Sometimes You Can't Make It On Your Own", do U2.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Começar, enfim?

Criei esse blog em 2007 e acabei de redescobrir ele. Aparentemente eu tinha criado um blog mas nunca havia feito uma postagem nele, seja lá por que motivo for.

A partir de agora, pretendo entrar periodicamente nele para o atualizar. Obviamente não vou me lembrar disso, mas não custa nada me enganar.

Afinal de contar, sobre o que se escreve em um blog? Sobre a vida? A vida não é tão complicada assim que mereça ser escrita e descrita assim, rotineiramente. Ela se resume às mesmas situações várias e várias vezes, só mudando os nomes e os lugares envolvidos. Você gosta de uma pessoa e não pode/consegue a ter (não é o meu caso no momento)? Não é a primeira e nem será a última vez. Falta dinheiro para pagar alguma conta ou para comprar aquela blusa linda que você viu na terça feira passada? Não é a primeira e nem será a última vez. Ficou puto porque o político X roubou dinheiro e saiu impune? Não foi a primeira e nem será a última vez. Acostume-se: a vida é uma rotina cíclica. Por mais que você pense algo como "essa festa nesse final de semana foi inesquecível!", daqui uns 40 anos, se você se lembrar dessa festa, ela terá sido apenas, e nada mais além disso... uma festa.
Portanto, não vale a pena ficar escrevendo sobre a vida.

Escrever sobre o que, então? Filosofia ou sociologia? Acho melhor não. Não quero matar meu único leitor (um tal de André Arcanjo) de tédio.

Pois então encerro aqui a minha primeira (e, muito provavelmente, última) postagem. Quando eu descobrir sobre o que escrever nesse blog, prometo que volto e escrevo.

Mentira. Não vou voltar não.